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PROBLEMA DE TODOS

Publicado em 05/10/2017 às 09h59

Atitudes dos pais podem ajudar filho a se livrar drogas

Esta é uma matéria diferente, por que ela não tem números, estatísticas e tem todo um "blá-blá-blá" antes de dizer a que veio. Se você não tiver paciência para "O Começo", pule logo para a parte do "Como agir". Se for ler o "blá-blá-blá", aproveite para verificar se você ou alguém querido tem esse problema e tente mudar sua estratégia e maneira de agir. 

O começo do "blá-blá-blá" 
 
Muitos jovens enveredam pelo caminho da "experimentação", onde vivenciam novas sensações com sexo, drogas e álcool. O ato de experimentar não seria um problema, se não fosse acompanhado pela repetição. E essa constância do uso da droga e do álcool leva à violência, que leva ao crime que, inevitavelmente, leva à prisão. Quando um jovem é preso, famílias até então bem constituídas passam a viver um pesadelo, onde a vergonha, a perda financeira e a peregrinação às instituições da Justiça imperam, afetando a todos.
 


Estes adolescentes, pertencem a todas as classes sociais. Eles acreditam que não estão viciados e que podem parar de usá-las a qualquer momento, que não estão comprometidos, viciados ou dependentes. Eles também acham que os pais não sabem o que dizem, porque são velhos. Que nunca serão descobertos pelas autoridades, que são espertos, que há muitos casos de traficantes que nunca foram presos. 

A mídia reforça o glamour do luxo, da gala e da ostentação como padrões que deveriam ser buscados por todos. E oferece um espaço generoso para quem se comporta de maneira extravagante. 

O álcool e as drogas não são tratados como questão de saúde pública e muito menos como desvio de comportamento. As emissoras incentivam de maneira subliminar o consumo de álcool em todas as situações de confronto entre os personagens. Os novos padrões sociais vigentes também são perversos. Não basta ser, é preciso ter e, de preferência, ostentar, porque quem ostenta aparece com certeza nas publicações badaladas e é convidado para todas as festas. 

A família 

Hoje é comum, nas salas de aula, as crianças terem duas casas para morar, duas mães, dois pais, oito avós, vários tios, irmãos, agregados e nenhum apoio emocional para conviver com tantos hábitos, costumes e situações diversas. E esse fato é maravilhoso. O que não é bom é a ausência de conversa sobre essas mudanças e os traumas, conflitos e medos ficam latentes por muito tempo, refletindo em comportamentos diferenciados e frustrações ilimitadas. 

A família é apenas um dos fatores. Há muitos outros muito mais influentes além de um pai ausente, uma mãe que se mata de trabalhar, um irmão que não está disposto a pegar no batente, um tio bêbado, uma avó que provoca brigas em casa ou a vizinha que é o pivô de várias discussões. Há ainda a falta de dinheiro, a falta de perspectiva, a falta de saneamento, a falta de transporte e a visão distorcida que os errados sempre vencem e que a impunidade é perene. 

A droga 

O novo brinquedinho de executivos e jovens sem estrutura emocional suficiente para dizer "não, obrigado!", avança seus domínios diariamente. São drogas lícitas e ilícitas. São drogas que se fumam, se cheiram e se consomem como comprimidos. E a sociedade está acompanhando o crescimento da violência urbana, o assassinato de inocentes, o rompimento de relações, o distanciamento das pessoas, a indiferença de órgãos públicos e a guerra do tráfico. 

E todo esse "blá-blá-blá" foi apenas para chegarmos a um ponto crucial que é: qual é a atitude que os pais devem tomar diante de suas crianças, recém-chegadas à adolescência, que estão usando ou começando a usar drogas? 

Como agir 

Não podemos procurar culpados, pois a culpa não é de ninguém. É do todo. Das autoridades que não se mexem, da sociedade que finge que não é com ela, da mídia que não combate, da escola que não faz um trabalho vigilante e dos pais, ausentes ou presentes, que ficam atônitos sem saber o que fazer. 

Por que os usuários mentem, enganam e camuflam. São envolventes e convincentes. E é bom ouvir o que se quer, ver o que se quer e colocar a culpa nos outros para o que não se pode combater. Mas o fato é que, se a droga já entrou na sua casa, você não pode mais ficar em estado de choque. Nem de braços cruzados. Tem que partir para a ação. 

Múltiplas histórias 

L.S. tem 19 anos. Uma vida inteira pela frente. Sonhador como todos da sua geração: queria comprar uma casa, usar tênis de marca, trabalhar num carrão. L.S. ia fazer tudo isso. Mas foi pego pela polícia. E agora vai amargar penosos 10 anos de prisão. E, enquanto isso não acontece, os irmãos andam com vergonha por serem apontados na rua, os pais andam cabisbaixos por terem seu lar destruído e a namorada foi embora, porque não pode esperar 10 anos para começar a construir sua vida. 

J.F. teve um surto e sua família o internou quando tinha 30 anos. Ele ficou seis meses internado, até que convenceu um dos membros da família que poderia sair. De vez em quanto ainda sucumbe e usa drogas. Está mais controlado e voltou a ter uma vida quase normal. 

R.B. foi além do uso da droga. Partiu para a violência e praticou um sequestro relâmpago. Deu azar e esqueceu seus pertences dentro do carro da vítima. Esteve preso 12 anos. Sua família, que toda semana ia visitá-lo na prisão, andou incansavelmente atrás de advogados para tentar reverter a sentença de condenação. Ele acabou com sua carreira e o seu futuro. Saiu da prisão contaminado por uma bactéria e hoje vive com balão de oxigênio. 

S.C. bebia muito para esquecer o que sua mulher lhe pedia e ele não podia proporcionar. Um determinado dia resolveu pegar um empréstimo na empresa, sem avisar ao dono. Foi preso por desfalque. Passou anos na prisão. Ao sair, bebia para esquecer o confinamento e morreu de cirrose hepática. Com ele, enterrou os sonhos de sua mulher, a vergonha de seus filhos e o alívio da família por todo seu sofrimento. 

Como você pode verificar, cada caso é um caso e não há uma receita pronta, além de estar disponível para ouvir e dar amor. Porém, é preciso observar que amor não tira ninguém da prisão e muito menos é sinônimo de resultado. O que essas pessoas que sucumbiram precisam é de ajuda médica, psicológica, psicanalítica, espiritual e, por que não, religiosa. Se você está passando por esta estrada neste momento, respire fundo, conte até dez e faça um mapa dos acontecimentos. Avalie onde seu ente querido está e onde ele pode chegar se continuar caminhando nessa via. E se concluir que não tem como agir, faça o impossível para interná-lo. Mesmo que seja à força. Mesmo que doa muito. É melhor ele estar internado onde você pode dar assistência médica, vê-lo e trocá-lo de lugar quando quiser, do que deixá-lo cair nas mãos da polícia ou dos bandidos, onde você não tem nenhum poder. 

Pós-internação 

A internação pode durar de 30 a 360 dias, dependendo da conduta do paciente e grau de dependência química. A clínica vai servir para desintoxicar e tratar das crises de abstinência, que podem provocar febre, tontura, vômitos, alucinações, delírios, etc. 

Quando o ex-viciado puder voltar para casa, ele vai precisar de uma equipe multidisciplinar: Narcóticos ou Alcoólicos Anônimos, psiquiatra, psicoterapeuta ou psicólogo, além de ajuda espiritual. Também é recomendável que a família tenha um acompanhamento terapêutico para conseguir lidar com essa nova realidade. Sem todo esse aparato, dificilmente seu familiar poderá manter-se longe das drogas e voltar a levar uma vida normal. 

*Por Cecília Queiroz, jornalista do espaço WMulher.

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